A entrada é um buraco na pedra onde só passa uma pessoa de cada vez. Capacete na cabeça, tênis de sola que não escorrega, celular guardado no bolso porque lá dentro não pode fotografar. Lá fora, um dia normal de outubro. Lá embaixo, um silêncio que parece mais velho que tudo.
A gente estava a pouco mais de uma hora de casa. É a Caverna de Botuverá, a maior do Sul do Brasil segundo o Viagens e Caminhos, com cerca de 1.200 metros de extensão (Prefeitura de Botuverá). E foi aí que caiu a ficha: quem mora em BC passa o ano olhando para o mar, quando bem atrás dos prédios tem um estado inteiro pedindo um tanque cheio e um domingo livre.
Este post junta os bate-voltas (e um bate-e-dorme) que a gente já fez saindo de Balneário Camboriú.
Botuverá: a caverna e a cabana
Parque das Grutas de Botuverá
A história que contam por lá é que, nos anos 1940, um cachorro sumiu num buraco entre as pedras e, quando foram atrás dele, acharam a caverna. É lenda, e lenda boa. O que é fato: o município começou os estudos para o plano de manejo em 1998 e hoje a visita é só com guia (Prefeitura de Botuverá).
Como funciona, segundo o site oficial: - Horário: terça a domingo, das 8h às 17h na primavera e no verão, e das 8h às 16h no outono e no inverno. Fecha às segundas para manutenção e em algumas datas fixas (Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, véspera e dia de Natal e Ano-Novo). Confira a lista do ano no site antes de ir. - Ingresso (valores de 2026, confira antes): R$ 30 adulto; R$ 15 para estudante, criança de 4 a 12 anos e maiores de 60. Aluguel de tênis e meia: R$ 5. Aceita cartão. - Visita: grupos de até 15 pessoas, 45 minutos, no máximo 13 grupos por dia. Domingo e feriado não tem reserva: é por ordem de chegada. - Regras: tênis com sola antiderrapante (sem ele, não entra), capacete sempre, nada de foto ou vídeo lá dentro, criança menor de 4 anos não entra e pet não entra no parque. - Para quem não quer descer: tem uma trilha na mata até uma cachoeira, além de praça de alimentação e churrasqueiras.
Telefone e WhatsApp do parque: (47) 3359-1100. Localização: Parque das Grutas no Google Maps.
A gente visitou num domingo à tarde. A dica é chegar cedo, porque com 195 vagas por dia e sem reserva no fim de semana, quem chega tarde pode ficar só com a cachoeira.
Refúgio Santi Molinari, a cabana
Cansados da rotina, achamos essa cabana no meio da mata em Botuverá e fomos passar uma noite antes da caverna. É o Refúgio Santi Molinari, e o que a gente encontrou foi isto: - Estrada ótima, quase toda pavimentada, com pouco trecho de terra bem conservado. - Cabana enorme e limpíssima, com janelões do chão ao teto. - Cozinha com forno a lenha e a gás, micro-ondas e airfryer. - Quarto no mezanino, com vista para a paisagem. - Banheiro espaçoso, chuveiro bem quentinho. - Aceita pet. - Não tem café da manhã: leve suas compras. - Check-in às 15h e check-out só às 14h, o que muda o dia seguinte inteiro.
Diárias que nos passaram em outubro/2026: R$ 481 de segunda a quarta e R$ 590 de sexta a domingo (no Airbnb, R$ 626). Só uma diária soma R$ 100 de taxa de limpeza. Vale reservar direto pelo Instagram deles. A gente pagou a nossa estadia.
Brusque e a Fenarreco
Se a Oktoberfest de Blumenau é a irmã famosa, a Fenarreco é a prima que cozinha melhor. O nome vem de Festa Nacional do Marreco, e o prato da casa é o marreco recheado com repolho roxo. A festa nasceu em 1986 como parada de almoço para quem ia à Oktoberfest e acabou virando atração própria (TudoGostoso).
Fenarreco 2026, a 39ª edição: - Datas: 8 a 18 de outubro de 2026, 11 dias de festa (site oficial). - Onde: Pavilhão da Fenarreco (Centro de Eventos Maria Celina Vidotto Imhof), Rua Gentil Battisti Archer, 411, Centro, Brusque (Google Maps). - Entrada: gratuita em todos os dias da programação, segundo o Conecta SC. - O que tem: desfile de abertura na Avenida Beira Rio, bandas típicas, grupos folclóricos, concursos, parque de diversões, área infantil e, claro, chope e marreco.
A gente foi no feriado de 12 de outubro, à tarde. Brusque fica a 42 km de BC, então dá para ir depois do almoço e voltar antes de escurecer. Só não conte com estacionamento fácil no fim de semana: a própria organização avisou que reforça a segurança justamente nos sábados e domingos, que é quando lota.

Bom Retiro: a serra num dia só
Esse foi o bate-volta mais longo, em 31 de maio de 2025. Bom Retiro fica a cerca de 136 km de Florianópolis pela BR-282, numa cidade a uns 890 m de altitude (Viagens e Caminhos). Somando os 82 km de BC até Floripa (Valor Final), passa de 200 km só de ida. Ou seja: sair cedo.
O dia, na ordem em que aconteceu: - De manhã, na estrada: um carcará parado, olhando para a gente como quem cobra pedágio. - Trilha curta até o rio: caminho rápido, água gelada e aquele barulho de rio de serra. As fotos ficaram marcadas na região do Barbaquá, onde fica a cachoeira de mesmo nome citada pelo Viagens e Caminhos. - Meio-dia: uma capelinha construída embaixo de uma pedra, na região do Passo da Limeira. Daquelas que você não procura e acha. - Fim de tarde: o sol se pondo atrás da serra. Valeu a estrada inteira.
Para planejar: - Inverno (maio a agosto): frio abaixo de zero, geada e, às vezes, neve. - Cachoeira: o verão (dezembro a março) é melhor. - Estradas: a BR-282 é a única pavimentada; os acessos a cachoeiras e montanhas são de chão batido e pioram com chuva forte. - Sinal: na maior parte da zona rural não pega celular. Baixe o mapa offline.
O que ninguém te conta
- Caverna sem foto: lá dentro é proibido fotografar e filmar. Aproveite com os olhos e guarde a câmera para a cachoeira.
- Domingo é por ordem de chegada: sem reserva em domingo e feriado, chegue de manhã ao Parque das Grutas.
- Cabana sem café: o Refúgio não serve café da manhã. Passe no mercado antes de subir.
- Junte tudo num feriadão: dá para dormir em Botuverá, ver a caverna no dia seguinte e fechar com a Fenarreco em Brusque, que fica no caminho de volta.
- Serra pede casaco mesmo no outono: em 31 de maio a gente já pegou clima de serra. Leve camadas.
- Sem sinal, sem Waze: em Bom Retiro, o mapa offline salva o passeio.
